Shaho-Kun

Tradução, Estudo e Interpretação

Princípios do Tiro


“O caminho não é com o arco, mas com o osso, que é de maior importância no tiro.

Colocar o espírito (Kokoro), no centro de todo o corpo, com dois terços de Yunde (braço esquerdo) empurrar a corda, e com um terço de Mete (braço direito) puxar o arco. Espírito assente, assim se forma a unidade harmoniosa.

A partir da linha central do peito, dividir igualmente a
esquerda e a direita para realizar o tiro.

Está escrito, que a colisão do ferro com a pedra lançará faíscas súbitas; do mesmo modo surge o astro dourado, brilhando claramente, e a meia-lua situada a poente.”

Shaho-Kun

Texto original japonês do Shaho-Kun

Enquadramento

O Shaho-Kun – 射法訓 – lit.Ensinamento na Lei do Tiro”, é um texto basilar do Kyudo, notavelmente traduzido no Manual de Kyudo Vol. I. O texto, escrito por Yoshimi Junsei, explora as diferentes esferas que constituem o Tiro: o Corpo, a Mente e Arco (Sanmi-Ittai). Não é apenas um texto que reflete a técnica correta, mas que aponta também para o ideal do Kyudo como Via.

Ao tentar estudar e interpretar este texto, é necessário ter em conta a sua origem e o seu autor, em particular o facto de Yoshimi Junsei ter sido um Mestre de Kyudo da Escola Heki-ryu Chikurin-ha. Além disto, obras e análises posteriores deste texto parecem apontar para uma forte influência do Budismo Shingon, uma vertente do Budismo com práticas e crenças mais esotéricas. Não nos é inteiramente claro se o autor era de facto praticante/membro desta vertente budista ou se apenas usou as ideias e conceitos nela presente para articular a sua própria perspetiva.

Nota: A Escola Shingon surgiu cedo no período Heinan, sendo a sua criação atribuída a Kūkai (774 – 835), também conhecido como Kōbō Daishi. Kūkai foi um monge budista, erudito e místico que estudou e viajou extensamente pela China onde se familiarizou com o Budismo esotérico chinês e outras tradições espirituais, antes de regressar ao Japão. Após o seu regresso, estabeleceu o famoso Mosteiro de Kongōbu-ji no Monte Koya, na prefeitura de Wakayama, que se tornou o centro do Shingon.1 2

A influência do pensamento clássico chinês, como o Taoísmo e o Confucionismo, é evidente nas crenças e práticas desta Escola. Kūkai integrou estes elemento na sua interpretação do Budismo, criando uma escola única que enfatiza a importância da meditação, a visualização e recitação.

Além disso, a filosofia do Shingon incorpora a noção de que a iluminação pode ser alcançada durante a vida através da prática diligente e da compreensão mística do universo. Este secto continua a ser uma parte vital da cultura espiritual japonesa, impactando não só a religião, mas também a arte e a literatura do país.

No âmbito do Shaho-Kun, é particularmente notória a
influência do pensamento cosmológico chinês,
nomeadamente as ideias do Yin-Yang e Wuxing,
conceitos muito usados em diversos campos de estudo
chineses para explicar uma vasta gama de fenómonos,
interações, influências e relações. Wuxing representa o
ciclo imutável entre 5 elementos (Madeira, Fogo,
Terra, Metal e Água), considerados os elementos
fundamentais da Criação. É o ciclo entre estes
elementos que permite o crescimento e evolução de
todas as coisas. Cada elemento está associado a uma
direção cardeal, estação do ano, forma geométrica, cor,
notas musicais e órgãos do corpo.

Ilustração do Ciclo Wuxing, denotando a relação entre os 5 Elementos: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água

O ciclo destes 5 elementos serve de base para muitos outros termos e conceitos, tanto chineses como japoneses, manifestando-se também no Kyudo.

A título de exemplo, na Escola Heki-ryu Chikurin-ha, temos o “Go-tai” (as 5 partes do corpo), o “Go-do” (5 secções do torso), o “Goju-Jumonji” (5 cruzes), o “Go-tsu-tenouchi” (5 tipos de Tenouchi) e “Go-tsu-kake” (5 tipos de Torikake). Mais relevante para esta análise, nesta Escola o processo de tiro é também descrito em 5 fases (射法五身), que pode ser explicado aplicando a “Quebra dos Cinco Anéis”. 3

Em vez do Wuxing descrito acima, o Mestre Yoshimi Junsei propõe-nos um outro ciclo, talvez em tom de trocadilho, denominado 五輪砕き – Gorin Kudaki, lit. Quebra dos Cinco Anéis. 4

Neste novo ciclo, é-nos sugerida a seguinte ordem:

Terra > Água > Madeira > Fogo > Metal

Ilustração do Gorin-Kudaki, ciclo alternativo do Wuxing

É através deste ciclo que o autor desconstrói as diversas fases do Tiro, atribuindo a cada uma delas um dos elementos e os seus respetivos atributos (cor, forma geométrica, etc.). Estas 5 fases correspondem ao conceito do Hassetsu 3, e podem ser sumariamente traduzidas da seguinte forma:

  1. Terra – Alinhamento: Ashibumi, Dozukuri e Yugamae
  2. Água – Recolher: Uchiokoshi e Hikiwake
  3. Madeira – Encontro: Kai
  4. Fogo – Separação: Hanare
  5. Metal – Promessa: Zanshin

Nota: Separadamente, as 5 Fases da Prática de Kyudo, de acordo com esta Escola, também são explicadas recorrendo a este Ciclo. Estas fases serão abordadas posteriormente.

Antes de passarmos à análise e descontrução deste Ciclo, é importante adicionar que o Shaho-kun parece ser apenas um excerto integrante dos Textos e Ensinamentos transmitidos pela linhagem Bishu Chikurin, da Escola Heki 5. Sabemos isto devido à existência de um Preâmbulo ao Shaho-kun — texto pouco conhecido, mas que nos fornece mais algum contexto e nos aponta para a Essência da prática do Kyudo — e devido às referências que o próprio Shaho-kun aponta («Está escrito que[…]»). Estas últimas serão também um tópico de análise posterior.

Assim, apresentamos primeiro o Preâmbulo ao Shaho-kun, seguido da análise à “Quebra dos 5 Anéis”.

Preâmbulo ao Shaho-Kun

抑々弓道の修錬は、動揺常なき心身を以て押引自在の活力を有する弓箭を使用し 静止不動の的を射貫くにあり、その行事たるや外頗る簡易なる如きも其の包蔵する処、心行想の三界に亘り相関連して機微の間に千種万態の変化を生じ、容易に 正鵠を捕捉することを得ず、朝に獲て夕に失い之を的に求むれば的は不動にして不惑、
之を弓箭に求むれば弓箭は無心にして無邪なり、唯々之を己に省み、心を正 し身を正しうして一念正気を養い、正技を錬り至誠を竭して修業に励むの一途あるのみ

Do texto original japonês acima apresentado, propomos a seguinte tradução:

Fundamentalmente, a prática do Kyudo consiste em, com um Corpo e Mente imperturbáveis, utilizar um arco e uma flecha, que possuem uma força vital flexível, para perfurar um alvo imóvel.

Embora um ato de extrema simplicidade à primeira vista, contém em si uma profundeza que atravessa os três reinos da Mente, Ação e Percepção. Estes três reinos relacionam-se mutuamente, produzindo, num único instante, uma míriade de variações subtís que tornam difícil atingir o verdadeiro Alvo; o que é alcançado de madrugada é perdido ao anoitecer.

Se o procurarmos no alvo, este permance imutável e sem dúvidas; Se o procurarmos no arco e na flecha, estes permanecem inocentes, puros de intenção. Só resta senão um Caminho: refletir sobre si próprio, retificar Corpo e Mente, cultivar um espírito Uno, aperfeiçoar a técnica correta e, com sinceridade absoluta, entregar-se inteiramente à Prática.

Análise da “Quebra dos Cinco Anéis” — 五輪砕き

Como mencionado acima, cada Elemento está associado a uma cor, direção e forma geométrica, descritas abaixo, juntamente com a respetiva expressão japonesa:

  • Corpo de Terra, Amarelo, Centro, Quadrado — 土体黄色中四角
  • Corpo de Água, Preto, Norte, Círculo — 水体黒色北円形
  • Corpo de Madeira, Verde, Este, Esfera — 木体青色東団形
  • Corpo de Fogo, Vermelho, Sul, Triângulo — 火体赤色南三角
  • Corpo de Metal, Branco, Oeste, Meia-Lua — 金体白色西半月

Assim, apresentamos novamente o Shaho-Kun traduzido, desta vez com a respetiva associação ao ciclo cosmológico chinês e fases do tiro:

O caminho não é com o arco, mas com o osso, que é de maior importância no tiro.
(Corpo de Terra, Amarelo, Centro, Quadrado — Ashibumi・ Dozukuri ・ Yugamae)

Colocando o Espírito (Kokoro) no centro de todo o corpo, com dois terços de Yunde (braço esquerdo) empurrar a corda, e com um terço de Mete (braço direito) puxar o arco. Espírito assente, assim se forma a unidade harmoniosa.
(Corpo de Água, Preto, Norte, Círculo — Uchiokoshi ・ Hikiwake)

A partir da linha central do peito, dividir igualmente a esquerda e a direita para realizar o tiro.
(Corpo de Madeira, Verde, Este, Esfera — Kai)

Está escrito, que a colisão do ferro com a pedra lançará faíscas súbitas;
(Corpo de Fogo, Vermelho, Sul, Triângulo — Hanare)

Do mesmo modo surge o astro dourado, brilhando claramente, e a meia-lua situada a poente.
(Corpo de Metal, Branco, Oeste, Meia-Lua — Zanshin)

Corpo de Terra, Amarelo, Centro, Quadrado
土体黄色中四角

Refere-se à “postura” e “alinhamento”, onde a base do tiro é estabelecida através do enraizamento na Terra, colocando o centro de gravidade no centro do corpo e assegurando que a postura está “quadrada”, isto é, estável e livre de perturbações. 6

[Ashibumi, Dozukuri e Yugamae]

Na filosofia chinesa, a Terra () representa equilíbrio/estabilidade e o núcleo da matéria física. Simboliza o ponto de mudança entre cada estação do ano, a cor Amarelo, o planeta Saturno, o ponto central dos 4 Pontos Cardeais. A Terra nutre e procura unir todas as coisas consigo própria, trazendo balanço. Está associado à Virtude Confuciana da Lealdade/Fidelidade (Zhong – 忠).

“O caminho não é com o arco, mas com o osso, que é de maior importância no tiro.”

Corpo de Água, Preto, Norte, Círculo
水体黒色北円形

Simboliza “influir”. A água flui, circula e preenche cada canto de um recipiente, independentemente da forma. Deste modo, devemos distribuir toda a força do nosso corpo uniformemente e contê-la harmoniosamente dentro do arco. 6

[Uchiokoshi e Hikiwake]

Na filosofia chinesa, a Água () representa uma fase de conservação e quietude, um movimento que recolhe. Simboliza o Inverno, a cor Preto, o ponto cardeal Norte e o planeta Mercúrio. Está associada à Virtude Confuciana da Sabedoria (Zhi – 智).

“Colocando o Espírito (Kokoro) no centro de todo o corpo, com dois terços de Yunde (braço esquerdo) empurrar a corda, e com um terço de Mete (braço direito) puxar o arco. Espírito assente, assim se forma a unidade harmoniosa.”

Corpo de Madeira, Verde, Este, Esfera
木体青色東団形

Denota “encontro”. Simboliza a forma como as árvores brotam exuberantemente, refletindo um crescimento vigoroso e em plenitude. O Arco assume a forma da Lua Cheia, que se estende para ambos os lados. 6

[Kai]

Na filosofia chinesa, a Madeira () representa o crescimento e expansão da matéria. Simboliza a Primavera, o ponto cardeal Este, o planeta Júpiter e a cor Verde. Anuncia o começo da Vida e está associada à Virtude Confuciana da Benevolência/Humanidade (Ren – 仁).

“A partir da linha central do peito, dividir igualmente a esquerda e a direita para realizar o tiro.”

Corpo de Fogo, Vermelho, Sul, Triângulo
火体赤色南三角

Representa “separação”. Simboliza uma separação súbita, tal como a faísca que surje do encontro do ferro com a pedra. Uma separação clara, vívida, firme, natural e leve. 6

[Hanare]

Na filosofia chinesa, o Fogo () representa a transformação e convecção. Simboliza o Verão, o ponto cardeal Sul, o planeta Marte e a cor Vermelho. Está associado à Virtude Confuciana da Decoro/Etiqueta (Li – 禮).

“Está escrito, que a colisão do ferro com a pedra lançará faíscas súbitas;”

Nota: A expressão «Está escrito, que[…]» (no japonês original, “書に曰く”, lit. “O livro diz […]”) parece referir-se ao “Livro dos Quatro Volumes”, um documento transmitido pela Escola Heki-ryu Chikurin-ha.

Corpo de Metal, Branco, Oeste, Meia-Lua
金体白色西半月

Representa o “espírio remanescente” e “promessa”. No momento em que a flecha se liberta, o Arco assume a forma da Meia-Lua, perdurando firme e imovível. Aqui revela-se toda a Natureza do Tiro. Na sua claridade e beleza, nada se pode ocultar ou
esconder. O Tiro é exposto e espelhado na sua plenitude. Este estado reflete também o ideal da transcendência, aludindo aos conceitos budistas da reencarnação, em que o arqueiro reflete sobre si mesmo e “renasce”. 6

[Zanshin]

Na filosofia chinesa, o Metal () representa o retorno, a contração e o refinamento. Simboliza o Outono, a cor branca, o ponto cardeal Oeste e o planeta Vénus. Está associado à Virtude Confuciana da Integridade/Justiça (Yi – 義).

“Do mesmo modo surge o astro dourado, brilhando claramente, e a meia-lua situada a poente.”

Os 5 Elementos do Kyudo
土、水、木、火、金

A Federação Internacional de Kyudo tem um segmento no seu website, chamado 一語一得 / Uma História, Uma Lição, onde partilha alguns textos escritos por Toru Miyata (Hanshi, 8º Dan), que exploram diversos tópicos e ideias sobre o Kyudo. Um desses artigos explora exatamente estes 5 Elementos e o Ciclo acima explorado. O texto que se segue é uma tradução desse artigo. 7


“É sabido que do telhado das arenas de Sumo são penduradas borlas nos quatro cantos, com as seguintes cores: Azul, Vermelho, Branco e Preto. No passado, haviam quatro pilares que representavam, respetivamente, o Este, o Sul, o Oeste e o Norte. O mesmo é mencionado nos “Quatro Volumes da Escola Chikurin”, nomeadamente no “Shaho-kun”, que recitamos durante os
treinos de Kyudo. As posturas do tiro no Kyudo são expressas na ordem da Terra, Água, Madeira, Fogo e Metal, num sistema referido como “Gorin-Kudaki”.

Começa com “Corpo de Terra, Amarelo, Centro, Quadrado”, onde “quadrado” refere-se ao Yugamae e Dozukuri, enfatizando que o corpo deve ser um quadrado perfeito, sem distorção. De seguida temos “Corpo de Água, Preto, Norte, Círculo”, “Corpo de Madeira, Azul, Este, Esfera”, “Corpo de Fogo, Vermelho, Sul, Triângulo”, concluindo com “Corpo de Metal, Branco, Oeste,
Meia-Lua”.

Nos “Quatro Volumes da Escola Chikurin”, transmitido em Kishu pela mão de Naozo Santo, está escrito, em referência a Junsei Yoshimi: «Essencialmente, devemos ter bem presente a força da mão direita, resultando num Hanare extremamente leve e sem esforço; um Hanare tão absolutamente nítido, forte e firme, como a quebra de um aço fortemente forjado. […] Alcançar este nível de mestria é, na nossa Escola, alcançar o mais alto nível na forma do Tiro; como a tempestade da manhã ou a folhagem vermelha do outono.»

Não é apenas no Kyudo. O uso das cores como o Amarelo no centro, ladeado por Azul, Vermelho, Branco e Preto tem sido expresso de diversas formas ao longo da História, como nos Deuses que governam as Quatro Direções. Estes Quatro Deuses são o Dragão Azul do Este (青龍 – Seiryu), o Pássaro Vermelho do Sul (朱雀 – Suzaku), o Tigre Branco do Oeste (白虎 – Byakko) e a Tartaruga Negra do Norte (玄武 – Genbu). Diz-se que o local onde estes quatro deuses residem, isto é, o Centro, corresponde à “Capital da Tranquilidade e Paz”, Heian-kyo (平安京), ou como é conhecida nos tempos modernos, Kyoto. O nosso corpo também é expresso pelos Cinco Elementos e pelas Cinco Direções. O Este representa o fígado e os olhos, o Sul representa o coração e a língua, o Oeste representa os pulmões e o nariz, o Norte representa os rins e os ouvidos e o Centro representa
o baço e a boca.

Quanto mais exploro a Anciania, mais aprofundo o meu interesse.”


Observação: Esta tradução foi feita com base nos textos em inglês e japonês, ambos disponibilizados pela IKYF. Onde havia discrepância entre a tradução inglesa apresentada pela IKYF e o texto original japonês, foi dada prioridade ao texto japonês. É importante referir que, dada a arcaicidade ou ambiguidade do texto japonês, a tradução direta está sujeita a alguma interpretação. No entanto, quando foi necessário recorrer à interpretação, tal tentativa foi sempre feita com o maior respeito e rigor possíveis, face à compreensão atual do tradutor no que toca à língua e tópicos discutidos.

Referências

  1. Wikipedia contributors, Wikipedia, The Free Encyclopedia, Kūkai,
    https://en.wikipedia.org/wiki/K%C5%ABkai ↩︎
  2. Wikipedia contributors, Wikipedia, The Free Encyclopedia., Shingon Buddhism,
    https://en.wikipedia.org/wiki/Shingon_Buddhism ↩︎
  3. Takashi Sakurai, syaho.com, “Sobre os 5 Elementos do Onmyodo“,
    http://www.syaho.com/sb.cgi?eid=29 ↩︎
  4. Ichiro Uozumi, Nagoya University Kyudo Club, Edição 48: Prefácio a Go-Kyū,
    https://nagoya-u-kyudo.main.jp/wp/kantougensyuu/kantougen48.html ↩︎
  5. Minoru Kajita, “Kajita Minoru’s Homepage”, “Á procura do texto completo do Shaho-kun“,
    https://www.kajita-m.jp/syahokun.htm ↩︎
  6. Takashi Sakurai, syaho.com, “Explicação do texto completo do Shaho-kun“,
    http://syaho.com/sb.cgi?eid=350 ↩︎
  7. Toru Miyata, Kyudo Magazine: Edição de Julho 2012, “Os Cinco Elementos no Kyudo“,
    https://www.ikyf.org/ichigoichie/003.html ↩︎